Soníferos eu lanço contra as feras
Que me devoram a solidez do sono.
A solidão em si não me apavora.
Os outros são o inferno, o purgatório
E às vezes são também o paraíso.
Não sei do inverno que virá ou não virá,
Ainda não formei juízo.
Aliás, juízo sempre me faltou
E há de faltar, espero, até a morte,
Esse capítulo da história natural,
Contra o qual não farei rebelião.
Amparo metafísico?
Não tenho.
Invejo o céu, a dança das esferas,
Morro de inveja do Ptolomeu,
Vagando a salvo nas cosmologias
Com Deus no centro, o resto ao seu redor.
Não tenho centro, cetro ou direção.
A mim só não me falta coração
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